Antes de mais, é um gosto enorme escreve neste blog, não só por ser o blog da minha filha mas também por ser um blog muito soft onde se respira música, e mais recentemente filmes e séries. Onde se respira cultura.

A Filipa pediu-me para fazer um pequeno comentário ao último projecto da banda escocesa Franz Ferdinand. Posso dizer que sou um apreciador destes quatros jovens, pela sua postura, pela sua música e, acima de tudo, pelo o seu admirável carisma. Não irei alongar muito o passado desta banda, visto que a Filipa já fez uma bela crítica sobre os mesmos.

Há cinco anos – e dois álbuns – que os Franz Ferdinand vinham avisando o seu público. Alex Kapranos – um dos mais influentes personagens que o século XXI deu a conhecer (os Kaiser Chiefs que o digam) – e companhia nunca o esconderam e desde logo avisaram: “fazemos música para as meninas dançarem”, diziam eles. Finalmente compreendemo-los.

É verdade que a componente retro da estreia (Franz Ferdinand) e o nervo rock do segundo álbum (You could have it so much better with Franz Ferdinand) vinham sempre acompanhados com alguma da melhor música gingona – “Take me out” e “Do you want to” são autênticas pérolas da melhor indie-pop dançável –, mas é chegados a Tonight: Franz Ferdinand – mais um disco com o nome da banda no título – que a banda revela o seu amor pelos sintetizadores.

À primeira faixa, uma certeza: mais um single fortíssimo e mais um momento de grande inspiração, “Ulysses”. Segue-se “Turn it on” e é difícil não nos vir à mente esse género a que se convencionou chamar new-rave e os seus propulsores, os Klaxons. “Bite Hard” não ficaria mal em qualquer um dos discos dos Kaiser Chiefs. Começa em modo baladeiro – ameaçando tornar-se numa “Eleanor Put Your Boots On Part 2″ – e explode numa das canções mais frenéticas do disco. As surpresas são guardadas para “What she came for” e “Lucid Dreams”. A primeira tem uns 20 segundos finais punk (?) e a segunda tem quase oito minutos, parece uma jam com sintetizadores e guitarras à bulha e parece separar o álbum em dois – que é como quem diz “Hey! acabou-se a festa, agora passamos a ser rapazes bem comportados. Afinal de contas as meninas também apreciam a nossa veia baladeira.”

Haverá nesta década rapazes mais confiáveis que os Franz Ferdinand? Que me lembre não.
A verdade é que não há muito tempo atrás, o trauma de todas as bandas de rock era o famigerado segundo disco, que, na teoria, funcionava como comprovação, ou não, do grupo em questão. Hoje em dia – apesar de a maioria das bandas mal sair da internet – parece que o problema está mesmo no terceiro álbum. Casos recentes comprovam isso: Kaiser Chiefs lançaram um disco mediano e os Bloc Party o mesmo.

Depois de quatro anos de intervalo em relação ao disco anterior, You Could Have It So Much Better, e de concertos eletrizantes no mundo inteiro (Portugal tem uma marca indiscutível dos mesmo no SBSR e mais recentemente, salvo alguns problemas, no Sudoeste), Tonight:Franz Ferdinand vem matar muitas saudades. E mata-as muito bem.

Mas, no final das contas, deixando as referências de lado e analisando o disco apenas por aquilo que se ouve, Tonight: Franz Ferdinand é um suspiro de boa música neste ano que começa. Se em 2008 muitas das grandes bandas lançaram discos de qualidade duvidosa e a eleição dos melhores acabou nas mãos de figuras desconhecidas como Fleet Floxes e Bon Iver, este 2009 já começa com uma bela promessa para as listas que sairão daqui a onze meses. É esperar para ver.

8/10

Após uma questão que a Filipa me pôs, decidi juntar a este post uma música que é bastante agradável de se ouvir em dias como os últimos.
Esta música é de Alela Diane. Alela é um nome invulgar…um nome que deve ao seu irmão, de 3 anos que foi o responsável pela escolha que é dar o nome a alguém. Nasceu no dia 20 de Abril de 1983 em Nevada City, Califórnia. Cedo entrou no mundo da música. Os seus pais eram músicos folk. Eram comuns os serões ao som deste tipo de música e quando se lhe pergunta com que idade começou a cantar, ela responde “desde que me lembro”. No entanto, só aos 19 anos é que se interessou realmente pela música, descobriu que era o que queria fazer para o resto da vida. Na companhia de uma solitária guitarra acústica, foi em 2003 que Alela escreveu as suas primeiras canções, durante o divórcio dos pais. Uns meses depois já tinha uma compilação de músicas que gravou caseiramente sob nome de “Forest Parade” e rapidamente divulgou pela família e amigos. Em 2004, durante uma viagem pela Europa escreveu um punhado de canções que viriam a dar origem a The Pirate’s Gospel. Acompanhada apenas de uma mochila e da sua guitarra, andou um mês no meio do desconhecido, numa viagem de auto conhecimento, de reflexão. Mal regressou a casa, a primeira coisa que fez foi desistir do seu curso em San Francisco e no final do Verão desse ano, gravou as músicas que escrevera na Europa, no estúdio do pai. Aquele que seria o seu primeiro álbum comercializado por uma editora foi apelidado de “The Pirate’s Gospel”, mas muito antes de a editora chegar, já Alela o recriava em casa e vendia o mais que podia. É só em 2006 que chega a ajuda de uma editora, a Holocene Music, que vende o álbum por todo o país (EUA), tendo também sido comercializado nesse ano em Inglaterra, distribuído pela editora Names Records. Mais recentemente foi distribuído por toda a Europa e Austrália.

Em “To Be Still”, a sua voz ganha ainda mais expressividade graças às camadas de instrumentos adicionados à melodia, sem nunca esconder o charme e a sonoridade da voz e da música folk. Se é verdade que não traz nada de novo ao mundo, a audição deste novo trabalho é um verdadeiro deleite para os ouvidos, principalmente em dias de chuva, servindo na perfeição para criar momentos de abstração. No entanto, existem momentos vários no disco que requerem mais atenção do ouvinte, “Age Old Blues” com um melodia que impressiona, “The Alder Trees”, com um ritmo muito celta, são dos melhores momentos do álbum. “White as Diamonds”, é provavelmente aquilo a que poderemos chamar o tema chamariz do disco, capaz só por si de fazer vendar mais algumas unidades, e espero que isso aconteça, pois vale bem ouvi-lo umas quantas vezes…

6/10