Franz Ferdinand + Músicas para ouvir em dias de chuva #1
Fevereiro 1, 2009
Antes de mais, é um gosto enorme escreve neste blog, não só por ser o blog da minha filha mas também por ser um blog muito soft onde se respira música, e mais recentemente filmes e séries. Onde se respira cultura.
A Filipa pediu-me para fazer um pequeno comentário ao último projecto da banda escocesa Franz Ferdinand. Posso dizer que sou um apreciador destes quatros jovens, pela sua postura, pela sua música e, acima de tudo, pelo o seu admirável carisma. Não irei alongar muito o passado desta banda, visto que a Filipa já fez uma bela crítica sobre os mesmos.
Há cinco anos – e dois álbuns – que os Franz Ferdinand vinham avisando o seu público. Alex Kapranos – um dos mais influentes personagens que o século XXI deu a conhecer (os Kaiser Chiefs que o digam) – e companhia nunca o esconderam e desde logo avisaram: “fazemos música para as meninas dançarem”, diziam eles. Finalmente compreendemo-los.


É verdade que a componente retro da estreia (Franz Ferdinand) e o nervo rock do segundo álbum (You could have it so much better with Franz Ferdinand) vinham sempre acompanhados com alguma da melhor música gingona – “Take me out” e “Do you want to” são autênticas pérolas da melhor indie-pop dançável –, mas é chegados a Tonight: Franz Ferdinand – mais um disco com o nome da banda no título – que a banda revela o seu amor pelos sintetizadores.
À primeira faixa, uma certeza: mais um single fortíssimo e mais um momento de grande inspiração, “Ulysses”. Segue-se “Turn it on” e é difícil não nos vir à mente esse género a que se convencionou chamar new-rave e os seus propulsores, os Klaxons. “Bite Hard” não ficaria mal em qualquer um dos discos dos Kaiser Chiefs. Começa em modo baladeiro – ameaçando tornar-se numa “Eleanor Put Your Boots On Part 2″ – e explode numa das canções mais frenéticas do disco. As surpresas são guardadas para “What she came for” e “Lucid Dreams”. A primeira tem uns 20 segundos finais punk (?) e a segunda tem quase oito minutos, parece uma jam com sintetizadores e guitarras à bulha e parece separar o álbum em dois – que é como quem diz “Hey! acabou-se a festa, agora passamos a ser rapazes bem comportados. Afinal de contas as meninas também apreciam a nossa veia baladeira.”
Haverá nesta década rapazes mais confiáveis que os Franz Ferdinand? Que me lembre não.
A verdade é que não há muito tempo atrás, o trauma de todas as bandas de rock era o famigerado segundo disco, que, na teoria, funcionava como comprovação, ou não, do grupo em questão. Hoje em dia – apesar de a maioria das bandas mal sair da internet – parece que o problema está mesmo no terceiro álbum. Casos recentes comprovam isso: Kaiser Chiefs lançaram um disco mediano e os Bloc Party o mesmo.
Depois de quatro anos de intervalo em relação ao disco anterior, You Could Have It So Much Better, e de concertos eletrizantes no mundo inteiro (Portugal tem uma marca indiscutível dos mesmo no SBSR e mais recentemente, salvo alguns problemas, no Sudoeste), Tonight:Franz Ferdinand vem matar muitas saudades. E mata-as muito bem.
Mas, no final das contas, deixando as referências de lado e analisando o disco apenas por aquilo que se ouve, Tonight: Franz Ferdinand é um suspiro de boa música neste ano que começa. Se em 2008 muitas das grandes bandas lançaram discos de qualidade duvidosa e a eleição dos melhores acabou nas mãos de figuras desconhecidas como Fleet Floxes e Bon Iver, este 2009 já começa com uma bela promessa para as listas que sairão daqui a onze meses. É esperar para ver.
8/10
Após uma questão que a Filipa me pôs, decidi juntar a este post uma música que é bastante agradável de se ouvir em dias como os últimos.
Esta música é de Alela Diane. Alela é um nome invulgar…um nome que deve ao seu irmão, de 3 anos que foi o responsável pela escolha que é dar o nome a alguém. Nasceu no dia 20 de Abril de 1983 em Nevada City, Califórnia. Cedo entrou no mundo da música. Os seus pais eram músicos folk. Eram comuns os serões ao som deste tipo de música e quando se lhe pergunta com que idade começou a cantar, ela responde “desde que me lembro”. No entanto, só aos 19 anos é que se interessou realmente pela música, descobriu que era o que queria fazer para o resto da vida. Na companhia de uma solitária guitarra acústica, foi em 2003 que Alela escreveu as suas primeiras canções, durante o divórcio dos pais. Uns meses depois já tinha uma compilação de músicas que gravou caseiramente sob nome de “Forest Parade” e rapidamente divulgou pela família e amigos. Em 2004, durante uma viagem pela Europa escreveu um punhado de canções que viriam a dar origem a The Pirate’s Gospel. Acompanhada apenas de uma mochila e da sua guitarra, andou um mês no meio do desconhecido, numa viagem de auto conhecimento, de reflexão. Mal regressou a casa, a primeira coisa que fez foi desistir do seu curso em San Francisco e no final do Verão desse ano, gravou as músicas que escrevera na Europa, no estúdio do pai. Aquele que seria o seu primeiro álbum comercializado por uma editora foi apelidado de “The Pirate’s Gospel”, mas muito antes de a editora chegar, já Alela o recriava em casa e vendia o mais que podia. É só em 2006 que chega a ajuda de uma editora, a Holocene Music, que vende o álbum por todo o país (EUA), tendo também sido comercializado nesse ano em Inglaterra, distribuído pela editora Names Records. Mais recentemente foi distribuído por toda a Europa e Austrália.
Em “To Be Still”, a sua voz ganha ainda mais expressividade graças às camadas de instrumentos adicionados à melodia, sem nunca esconder o charme e a sonoridade da voz e da música folk. Se é verdade que não traz nada de novo ao mundo, a audição deste novo trabalho é um verdadeiro deleite para os ouvidos, principalmente em dias de chuva, servindo na perfeição para criar momentos de abstração. No entanto, existem momentos vários no disco que requerem mais atenção do ouvinte, “Age Old Blues” com um melodia que impressiona, “The Alder Trees”, com um ritmo muito celta, são dos melhores momentos do álbum. “White as Diamonds”, é provavelmente aquilo a que poderemos chamar o tema chamariz do disco, capaz só por si de fazer vendar mais algumas unidades, e espero que isso aconteça, pois vale bem ouvi-lo umas quantas vezes…
6/10
Franz Ferdinand
Setembro 7, 2008
O que falar dos Franz Ferdinand que já não tenha sido dito pela imprensa mundial? A banda escocesa que, ao invés de usar apenas uma influência, usou inspirações musicais de um glossário de bandas e com isso está a conquistar cada vez mais público (a banda bateu a Beyoncé nos tops europeus, aquando a saída do primeiro álbum da banda), famosos (Brad Pitt é fã) e roqueiros (abrir a nova tournée de Morrissey não é para qualquer um). Trazendo muitos clichês, os Franz Ferdinand conseguiram o impossível: a aprovação da imprensa.
Eles são um caso de sucesso um pouco por todo o mundo. O álbum de estreia dos escoceses Franz Ferdinand foi bastante bem recebido pela crítica internacional e pelo público. Marcado por guitarras rápidas e uma enorme descontracção, Franz Ferdinand (2004) foi considerado um dos melhores álbuns de 2004, tendo recebido o Mercury Prize nesse ano.
Também, pudera. O disco de estreia é um milk shake de boas influências usadas no estilo “New Rock”, seguindo a filosofia: esqueçe a personalidade e toca como os teus ídolos. Na discoteca dos Franz Ferdinand há espaço para Public Image, Talking Heads, The Cure, Joy Division, New Order, The Smiths, Rolling Stones e a lista segue. Interessante também é que o álbum traz à memória novas bandas como: Strokes, The Libertines e The Walkmene.
Os meses e os dias foram sendo contados devagarinho, depois do disco de estreia, pelos meios de comunicação que, sobretudo nos dois meses anteriores ao lançamento do álbum, nos proporcionaram autênticos momentos de desespero com a publicação quase diária de notícias relativas aos concertos, ao cabelo e à voz do Alex Kapranos e ao lançamento, ao alinhamento, à capa, às cores, ao som e a tudo o resto de You could have it so much better (2005), que esteve para ter a mesma capa (com cores diferentes) e o mesmo título do primeiro álbum da banda. E todos os que se seguissem deveriam obedecer a este esquema. Bem, parece que o quarteto de Glasgow mudou de ideias e optou por um título mais convencional. De resto, eles têm-se em boa conta. Por isso, não estranhem o facto deles acharem que nós poderíamos “tê-lo muito melhor”. O que quer que isso seja.
Quanto ao álbum propriamente dito, You could have it so much better não surpreende nem desilude. É tão bom como o seu antecessor, tão descontraído e leve, por um lado, e pretensioso e repetitivo, por outro, como seria de esperar. E acabo por gostar muito do que ouço. São vedetas – eu cá não me importo – e cobrem a música de sorrisos e frases lindas de morrer. E eu gosto disso.
O primeiro single retirado deste álbum, “Do You Want To”, materializa a ideia exposta. É dançável e cheia de groove. “Tu tu tu tu tu tu tu” e um videoclipe engraçado completam-se pelas televisões deste mundo. Mas é impossível ouvir a música sem se ficar espantado com a tamanha inofensibilidade da mesma: “Lucky, lucky / You’re so lucky”: repitam-mo até à exaustão porque eu sou capaz de acreditar. A sério.
De resto e por entre “Aaaaahhhhhh” e “Oooohhhh” de diversos tipos, lá vai correndo o álbum sem apresentar grandes novidades. Ainda assim, há alguns temas que fogem à monotonia – que eu não me importo nada que exista -. “I’m Your Villain”, por exemplo, continua dançável e cheia de groove mas – e à semelhança do que acontecia com “Take Me Out” em Franz Ferdinand – as mudanças de ritmo e um baixo competente fazem desta canção um oásis no deserto (é possível que a fuga para o lugar comum surja num momento em que a própria banda se apresenta como um…lugar comum).
“You Could Have It So Much Better”, tal como as restantes músicas, está tecnicamente irrepreensível mas o facto de se repetir até à exaustão – como “This Boy” ou “Fade Together” – não ajuda. Pelo meio, temos outras faixas relativamente interessantes como “What You Meant” e “Evil and a Heathen”. Este último é o mais barulhento dos 13 temas deste álbum e, à semelhança de “I’m Your Villain”, uma das poucas que se escapa ao mar mediano do “nem genial, nem péssimo” a que os Franz Ferdinand nos têm habituado.
Eles tocam bem e tudo o resto. Mas, apesar desta qualidade incontornável, os Franz Ferdinand não são deuses – apesar de estarem perfeitamente convencidos disso – mas continuamos a gostar dessa ideia.
Contemporâneos que unem criatividade e personalidade com um gostinho pelo desconhecido. Eles inventam em cima do que já foi inventado. Os Franz Ferdinand podem apenas ser apontados como a melhor das bandas que reciclam os anos 80, mas não é só isso. São bons, são divertidos, são dançantes e são “déjà vu” – mas quem é que se importa com isso? -.
