Dawson’s Creek

Abril 19, 2009

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Nome original: Dawson’s Creek
Nome traduzido: Dawson’s Creek
Temporadas: 6
Ano: 1998
Criador: Kevin Williamson

 

[Contêm spoilers]

 

 

James Van Der Beek foi quem deu a vida a Dawson durante seis anos naquela que foi, para mim, a melhor série teen de sempre. Dawson’s Creek era simples, tocante e humilde, de uma forma que nenhuma série foi ou irá alguma vez ser.

Dawson’s Creek tem todo um universo particular de uma série comum e incomum ao mesmo tempo. Partindo do princípio, esta série conta as histórias de adolescentes amadurecendo numa pequena cidade litoranea dos Estados Unidos (Capeside, Massachusetts). Como qualquer outra produção que trate o período de transição mais conflituoso da vida do ser humano, retrata questões retiradas directamente da realidade do mundo "teen". Por esse facto, ela agrada a gregos e troianos. Nos seus episódios, consegue reunir humor e drama com simplicidade e inteligência. Mas não limitemos o fantástico mundo da aclamada série de Kevin Williamson às similaridades com outras séries do mesmo género.

image Dawson, Joey, Jen, Jack e Pacey são os personagens principais, jovens de classe média que, longe da modernidade e de todas as oportunidades que uma grande metrópole oferece, passam então a exercer uma actividade que se torna o tema principal da série: viver e sonhar.
Vale a pena analisar que os adolescentes retratados na série não representam adolescentes-padrão. E é aí que entram as peculiaridades de Dawson’s Creek. Os diálogos são quase sempre extensos e repletos de citações de autores ilustres. Gírias são praticamente ausentes. Falam como adultos cultos, inteligentes, instruídos; mas diferenciam-se porque tratam através dessa visão o universo jovem. Os diálogos são ricos e encantadores. Joey é a personagem campeã. Ela encabeça cada situação da vida como um problema com infinitas soluções e possibilidades. Ela mostra-nos que não há um "happy ending", mas sim situações felizes e o momento certo para vive-las.
A amizade é tratada na série como elementar. Esse é o grande elo dos personagens. A amizade verdadeira, pura e bela. E indispensável. Há tanta beleza em Dawson’s Creek, exactamente porque o cenário é simples, os actores são excelentes e o roteiro é profundo. Esses são os ingredientes necessários para a receita de uma obra-prima televisiva ou cinematográfica. Usando a analogia, podemos reflectir sobre os ingredientes necessários para o alcançar da felicidade em nossas vidas. Mas para provar a receita, é preciso juntar os ingredientes certos, como fizeram os produtores de Dawson’s Creek.

A verdade é que é a série que tem, certamente, os diálogos mais inteligentes – embora nem sempre muito realistas – o maior número de prémios, e o maior sucesso de crítica e público. Será que Kevin Williamson, criador de Dawson’s Creek, imaginou colher tantos louros ao colocar no papel uma história baseada na sua adolescência na Carolina do Norte?
Talvez sim. Antes mesmo de estrear na TV (em Janeiro de 1998 nos EUA), a série já tinha fechado gordos acordos publicitários. E assim Dawson’s Creek se tornou um dos principais representantes da temática "teenage angst", os tão falados e pouco compreendidos medos e ansiedades da adolescência, tendo sido também a série que inspirou grandes êxitos posteriores como The O.C e One Tree Hill.

Mas a 14 de Maio de 2003 a série terminou. Para muitos foi o final da maior série teen de sempre, para outros o inicio de uma jornada que, sob a inspiração de Dawson’s Creek, iria fazer aparecer mais séries teen. E realmente, meses depois, apareceu The O.C.

Um tema muito falado e discutido é realmente a “rivalidade” entre The O.C e Dawson’s Creek que, na minha opinião, é completamente desnecessária. É nítida a inspiração de Josh Schwartz em Dawson’s Creek, mas isso seria impossível impedir visto que Dawson’s Creek foi a série mais famosa e conhecida de sempre neste género. Sendo eu fã das duas séries, uma coisa retenho: estas duas séries completam-se, formando um conjunto perfeito.

image Se Dawson’s Creek, com a sua bonita paisagem e dilemas adolescentes nos fez crescer, The O.C com os seus dramas mais juvenis fez-nos concluir e apaziguar esse crescimento. Daí acreditar que quem viu The O.C vendo Dawson’s Creek antes, viu a criação de Josh Schwartz de maneira completamente diferente.

Apesar de colocar em The O.C o rótulo de “série preferida”, no que diz respeito a séries teens coloco Dawson’s Creek logo na segunda posição, e dizendo que, em termos de aproveitamento e qualidade, esta última bate a criação de Josh Schwartz.

image Se crescer dói, Dawson que o diga. Ele é um sonhador convicto, apaixonado por cinema, fã de Spielberg e quer ser director de cinema tal qual o seu grande ídolo. No inicio da série ele chega até a ser meio “tolo”, dos personagens principais é o que mais demora para amadurecer.

image Joey é o contraste de Dawson. Se ele é um sonhador, Joey é realista…demais. Perdeu a mãe muito cedo, o pai é presidiário e ela ainda trabalha devido à falta de dinhiro. Viveu a maior parte da série apaixonada por Dawson, já que eles são amigos desde crianças, sendo muito íntimos um do outro. Determinada e uma das mais inteligentes da escola, sonha em ir logo para a universidade e sair de Capeside.

image Pacey é o “pateta” da turma. Ele é o personagem favorito de muitos fãs. Mesmo sendo constantemente deixado de lado pelo o seu pai, é de uma dignidade e humanidade impressionante. E acaba por se tornar o bom rapaz que toda mãe iria querer como genro. É o que completa o trio de amigos, com Dawson e Joey, de longa data.

image Jen é sem dúvida é a mais vivida deles. Morava em Nova Iorque com os pais e sempre foi muito precoce. Começou por beber demasiado cedo, começou a fumar demasiado cedo, usou drogas demasiado cedo, fez sexo demasiado cedo. Por estes e outros motivos foi mandada para Capeside para morar com a avó, na esperança de “endireitar” a moça. Jen é uma personagem extremamente bem construída e forte, acabando por virar uma excelente pessoa e mulher.

 

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E não menos importante, Jack. Jack sai do armário e revela-se gay na segunda temporada. Tudo bem até então, mas como é de se esperar ele sofre muitos preconceitos no decorrer da série, mas acaba dando a volta por cima e termina a série muito bem. É uma personagem muito forte e de muito peso.

 

 

O lado engraçado de Dawson’s Creek é que, 10 anos depois, as tramas, as conversas inteligentes, as imaturidades emocionais, os dramas adolescentes, a descoberta do amor, do sexo, da traição e da amizade, continuam temas completamente actuais. É uma série na qual quando menos se espera, está-se totalmente amarrado à trama. Acabamos-nos por nos envolver, emocionar e divertir com os acontecimentos de Capeside. Sem contar o triangulo amoroso entre Dawson-Joey-Pacey, o centro da série.

Eu estou a rever a série. E sente-se nostalgia…muita nostalgia. Pela época que via Dawson’s Creek e pela época que passava pelos mesmos dilemas e dúvidas. É o efeito desta série que, sem dúvida, vale muito a pena de ser vista, apesar de já ter terminado.