Franz Ferdinand
Setembro 7, 2008
O que falar dos Franz Ferdinand que já não tenha sido dito pela imprensa mundial? A banda escocesa que, ao invés de usar apenas uma influência, usou inspirações musicais de um glossário de bandas e com isso está a conquistar cada vez mais público (a banda bateu a Beyoncé nos tops europeus, aquando a saída do primeiro álbum da banda), famosos (Brad Pitt é fã) e roqueiros (abrir a nova tournée de Morrissey não é para qualquer um). Trazendo muitos clichês, os Franz Ferdinand conseguiram o impossível: a aprovação da imprensa.
Eles são um caso de sucesso um pouco por todo o mundo. O álbum de estreia dos escoceses Franz Ferdinand foi bastante bem recebido pela crítica internacional e pelo público. Marcado por guitarras rápidas e uma enorme descontracção, Franz Ferdinand (2004) foi considerado um dos melhores álbuns de 2004, tendo recebido o Mercury Prize nesse ano.
Também, pudera. O disco de estreia é um milk shake de boas influências usadas no estilo “New Rock”, seguindo a filosofia: esqueçe a personalidade e toca como os teus ídolos. Na discoteca dos Franz Ferdinand há espaço para Public Image, Talking Heads, The Cure, Joy Division, New Order, The Smiths, Rolling Stones e a lista segue. Interessante também é que o álbum traz à memória novas bandas como: Strokes, The Libertines e The Walkmene.
Os meses e os dias foram sendo contados devagarinho, depois do disco de estreia, pelos meios de comunicação que, sobretudo nos dois meses anteriores ao lançamento do álbum, nos proporcionaram autênticos momentos de desespero com a publicação quase diária de notícias relativas aos concertos, ao cabelo e à voz do Alex Kapranos e ao lançamento, ao alinhamento, à capa, às cores, ao som e a tudo o resto de You could have it so much better (2005), que esteve para ter a mesma capa (com cores diferentes) e o mesmo título do primeiro álbum da banda. E todos os que se seguissem deveriam obedecer a este esquema. Bem, parece que o quarteto de Glasgow mudou de ideias e optou por um título mais convencional. De resto, eles têm-se em boa conta. Por isso, não estranhem o facto deles acharem que nós poderíamos “tê-lo muito melhor”. O que quer que isso seja.
Quanto ao álbum propriamente dito, You could have it so much better não surpreende nem desilude. É tão bom como o seu antecessor, tão descontraído e leve, por um lado, e pretensioso e repetitivo, por outro, como seria de esperar. E acabo por gostar muito do que ouço. São vedetas – eu cá não me importo – e cobrem a música de sorrisos e frases lindas de morrer. E eu gosto disso.
O primeiro single retirado deste álbum, “Do You Want To”, materializa a ideia exposta. É dançável e cheia de groove. “Tu tu tu tu tu tu tu” e um videoclipe engraçado completam-se pelas televisões deste mundo. Mas é impossível ouvir a música sem se ficar espantado com a tamanha inofensibilidade da mesma: “Lucky, lucky / You’re so lucky”: repitam-mo até à exaustão porque eu sou capaz de acreditar. A sério.
De resto e por entre “Aaaaahhhhhh” e “Oooohhhh” de diversos tipos, lá vai correndo o álbum sem apresentar grandes novidades. Ainda assim, há alguns temas que fogem à monotonia – que eu não me importo nada que exista -. “I’m Your Villain”, por exemplo, continua dançável e cheia de groove mas – e à semelhança do que acontecia com “Take Me Out” em Franz Ferdinand – as mudanças de ritmo e um baixo competente fazem desta canção um oásis no deserto (é possível que a fuga para o lugar comum surja num momento em que a própria banda se apresenta como um…lugar comum).
“You Could Have It So Much Better”, tal como as restantes músicas, está tecnicamente irrepreensível mas o facto de se repetir até à exaustão – como “This Boy” ou “Fade Together” – não ajuda. Pelo meio, temos outras faixas relativamente interessantes como “What You Meant” e “Evil and a Heathen”. Este último é o mais barulhento dos 13 temas deste álbum e, à semelhança de “I’m Your Villain”, uma das poucas que se escapa ao mar mediano do “nem genial, nem péssimo” a que os Franz Ferdinand nos têm habituado.
Eles tocam bem e tudo o resto. Mas, apesar desta qualidade incontornável, os Franz Ferdinand não são deuses – apesar de estarem perfeitamente convencidos disso – mas continuamos a gostar dessa ideia.
Contemporâneos que unem criatividade e personalidade com um gostinho pelo desconhecido. Eles inventam em cima do que já foi inventado. Os Franz Ferdinand podem apenas ser apontados como a melhor das bandas que reciclam os anos 80, mas não é só isso. São bons, são divertidos, são dançantes e são “déjà vu” – mas quem é que se importa com isso? -.

Setembro 7, 2008 at 2:25 am
Antes de mais quero referir que a Filipa no final da review, voltou a vender “o olho por dois tostões” xD
Eu nem tenho palavras para descrever a grandiosidade desta banda. Mas até eu gostar dela teve grande história.
A primeira música que ouvi foi “Matinee” e detestava a música literalmente. Inclusive chegava a decorar o movimento da mão apresentado pela banda no videoclip, para puder gozar com um amigo meu que era fã por inteiro da banda.
Mas o inexpiável aconteceu aproximadamente um ano depois quando estava a jogar Gran Turismo 4 que incluía a música “Michael”, que me conquistou. Nesta altura estava a ir de férias e decidi arranjar o único cd da banda e leva-lo para ouvir nas férias. Assim o fiz e pronto percebi o porque desta banda ter a “grandiosidade” que lhe é atribuída. Nem todas as bandas que “reciclam os anos 80″ conseguem criar músicas apaixonantes e alcançar a fama como os Franz Ferdinand conseguiram e conseguem.
No primeiro cd, Franz Ferdinand, não consigo eleger nenhum top, porque para mim todas as músicas são “eleitas”. É daqueles cds que todas as músicas tem a potencialidade de ser um single. A prova disso é que a banda chegou a lançar 5 singles do álbum que tem 11 faixas.
Assim que cheguei das referidas férias tinha acabado de ser lançado o primeiro single do segundo cd You Could Have It So Much Better, com o nome de “Do You Want To”. Esta música não surpreendia no que toca a novidades da parte da banda, visto que a banda tanto neste single como no álbum por inteiro segue a mesma formula que está presente no seu álbum de estreia Franz Ferdinand. Agora sim, neste cd posso eleger algumas músicas, mas como o número de música que elejo como melhores é maior que o das que não vou eleger. Prefiro dizer o nome das músicas que me conquistam menos, tais como: “Well That Was Easy” e “Fade Together”.
Depois disto cheguei mesmo a ir vê-los ao SBSR em 2006. Que até hoje foi o concerto da minha vida. Esperei 7 horas em pé na primeira fila para os conseguir ver… fui obrigado a aturar Keane e The Cult, mas o esforço valeu a pena. Tive a sorte de assistir a um “concertão”, como a altura em que a banda sai para o encore e toda a gente começa a cantar “This Fire”… Até que Alex (vocalista da banda) volta e para nos fazer calar foi obrigado a tocar “com força e rapidamente” na sua guitarra.
Por agora fico à espera do terceiro cd que ao que parece… Promete e muito. Até agora foi possível ouvir uma música “Lucid Dreams” que apesar de poder a não vir a ser escolhida para o cd… Esta muito bem conseguida :)
Não tenho nada a referir a crítica desta moça espectacular 8D